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Uma Doença chamada: Intolerância


É comum hoje em dia encontrar a palavra "intolerância" associada a diversas situações. Mas afinal, qual é seu real significado? Conforme definido no dicionário Michaelis, a intolerância pode ser compreendida como sendo uma "intransigência contra pessoas que têm opiniões, atitudes, ideologia, crenças religiosas etc. diferentes da maioria", ou seja, uma incapacidade de aceitar o que lhe é diferente. 


Compreendida como além de uma dificuldade em suportar as diferenças alheias, a intolerância hoje em dia é algo muito presente nos mais diversos temas, como: intolerância religiosa, intolerância política, intolerância racial, intolerância sexual, entre outros tipos. E ainda há diversas intolerâncias encobertas, como o machismo ou mesmo o bullying, mas que partem da mesma premissa da incapacidade em tolerar as diferenças no outro.


Deste modo, a intolerância pode ser melhor entendida como sendo o ato de impor a própria opinião ou visão sobre um determinado assunto, ou diversos, sobre o outro que pensa ou dispõe de uma visibilidade de um outro prisma. Pode ser visto como exemplo, em todos os tipos de relações, a incapacidade que algumas pessoas apresentam em debater e defender suas preferências políticas de modo saudável, em um papo frente a frente com uma pessoa conhecida, ou mesmo em ambientes virtuais com desconhecidos.  


De modo geral, a intolerância infere a imposição de um pré-conceito, isto é, um conceito pré-determinado defendido como sendo uma verdade única e imutável, o que parece permitir que as pessoas que se entendem como detentoras do conhecimento tenham a liberdade de ferir os direitos dos demais utilizando-se de coerção, ameaças, agressões verbais e agressões físicas. Infelizmente já faz parte da rotina não apenas dos brasileiros, mas sim do mundo inteiro, de defrontar-se ao longo do dia com notícias de todos os tipos de intolerâncias e que, muitas delas, ultrapassam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, chegando ao extremo de decidir pelo fim da vida do outro em prol da defesa dos próprios argumentos. 


Quando nos deparamos com ações terroristas do grupo extremista Estado Islâmico, o sentimento de impotência e falta de liberdade está diretamente associado a um grupo que impõe de forma agressiva a sua defesa religiosa. Mas o que será que difere o Estado Islâmico de pessoas que agem de forma individual, coagindo, machucando ou mesmo matando pessoas que lhe são diferentes?Refletindo um pouco, qual é a diferença entre um grupo que ataca e agride até a morte um homossexual e os ataques terroristas praticados pelo Estado Islâmico, se ambos ferem o direito do outro em sua liberdade de escolha e se sentem no direito de interromper vidas humanas? 


Dentre todas as formas de demonstração de intolerância, cabe destaque uma que parece agir de modo sorrateiro e silencioso, mas que não deixa de ser tão extrema e cruel quanto as demais por não vir em forma explícita de agressão direta e declarada. É o caso da coerção ou agressão psicológica. Ela pode estar presente nos mais diversos setores caracterizando todas as formas de uma relação abusiva, como por exemplo em um chefe que utiliza do seu poder para humilhar seus subordinados ou em uma relação amorosa.


Em ambos os exemplos citados, os indivíduos que se sentem no poder tem como intuito ter o controle sobre o comportamento do outro por meio de chantagens emocionais e ameaças pessoais, o que resultam em um sentimento de culpa e em sofrimento intenso da parte agredida. Para que seja possível sucesso por parte do agressor, estas relações devem ser próximas, pessoas queridas que parecem fazê-lo por demonstrar preocupação e cuidado, o que tende a dificultar ainda mais que a parte ferida tome ciência do que está acontecendo. 


Desta maneira, a pessoa começa a tomar decisões contra sua vontade, mudar seu comportamento, sentir-se triste, amedrontada, sozinha e, em casos onde a pessoa não encontra mais saídas para lidar com este sofrimento intenso e constante, a mesma pode acabar se agarrando na opção de tirar sua própria vida. Prova disto é o alto índice de suicídios que o Brasil e o mundo tem apresentado e que, segundo dados estatísticos comprobatórios, está em constante crescimento.


Mas não é preciso ir muito além, se pensarmos bem, todos nós já nos sentimos coagidos em expor nossa opinião em algum momento de nossas vidas. Nem sempre sentimo-nos livres para usar a camisa do nosso time do coração, por exemplo. Parece pouco e pequeno perto dos horrores que o mundo tem apresentado, mas é uma dentre as milhares de formas de controle de comportamento que tem sido imposta de modo sorrateiro no dia a dia e que tende-se a acatar por medo ou por defesa. 


Nota-se que em todos os casos, há agressores e agredidos, onde a intolerância com as diferenças ferem os direitos humanos de liberdade e por vezes podem custar vidas humanas inocentes e famílias despedaçadas. 


A questão não está em aceitar o que lhe é diferente ou incompreensível, ninguém precisa se sentir obrigado a isso. Mas todos tem como dever de respeitar o próximo como ele é ou como escolher ser e seguir sua vida, da mesma forma que gostaria que fosse tratado mediante suas escolhas. 


Somos seres humanos, cheios de defeitos, limitações e erros, então a tolerância deve ser vista como a primeira regra para uma convivência sadia e respeitosa em sociedade. O Sobrevier acredita que tudo e todos possuem sempre um outro lado a ser percebido, e entende que somos seres incríveis, repletos de diferenças interessantes e são estas que nos tornam únicos e especiais.


E por acreditar na humanidade, deixamos um pedido: permita-se conhecer o diferente e acredite, você vai se surpreender o quão isto pode lhe ser enriquecedor.           

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