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  • Sobre[viver] Prevenção e Posvenção

Entendendo a Automutilação


Tem sido cada vez mais comum ouvir relatos de pessoas que se machucam intencionalmente e, para a sociedade, é muito difícil a compreensão do por que as pessoas apresentam este tipo de comportamento.

         

Quando uma pessoa provoca intencionalmente danos ao próprio corpo, sem a intencionalidade de tirar a própria vida, a Sociedade Internacional para Estudos de Comportamentos Autolesivos entende-o enquanto sendo um comportamento autolesivo,  chamado de automutilação aqui no Brasil.

         

Afinal, porque alguém machuca a si mesmo?

     

A automutilação, ou cutting que em inglês significa “cortar-se”, não é um fenômeno recente. Suas primeiras pesquisas enquanto comportamentos autolesivos datam 1977, com Ted Carr que concluiu que este tipo de comportamento era resultante de um problema de comunicação. Uma pesquisa mais recente realizada por Brian Iwata e seus colegas (1994), no Instituto Kennedy Krieger Institute em Johns Hopkins, identificou três principais funções para a automutilação: 40% fuga a estímulos aversivos principalmente no caso de um sofrimento psíquico insuportável, 26% necessidade de estabelecer uma comunicação efetiva e 26% realizam com o intuito de obter prazer através do próprio ato.

       

Entende-se então que apenas uma pequena parcela da população que provoca intencionalmente autolesões tem como objetivo a obtenção de prazer pela dor, enquanto que o restante apresenta um sofrimento psíquico tão intenso que a automutilação tem como função principal de aliviar esta dor através da dor física.

       

Mesmo não sendo um comportamento recente, a automutilação é um assunto que vem ganhando espaço na atualidade com força significativa para que seja mais debatido e assim, melhor compreendido por todos. Este espaço pode estar em evidência agora devido a um aumento dos casos ou mesmo que as pessoas que praticam as autolesões estejam encontrando brechas para que possam de alguma forma expressar o que estão sentindo. Segundo a estatística mundial, a maior prevalência está desde a pré-adolescência até a idade do adulto jovem, ou seja, dos 12, 13 anos de idade até os 25 a 30 anos. No Brasil, ainda não há  dados consistentes sobre esse tipo de comportamento, o que tende a dificultar a identificação dos casos, possíveis tratamentos e o desenvolvimento de campanhas interventivas.

         

Este espaço é de suma importância e deve ser aproveitado ao máximo, uma vez que pesquisas comprovaram que parte deste comportamento vem da necessidade de comunicação, mas não de qualquer comunicação.

 

O Sobreviver entende que, quando disseminamos conhecimento, auxiliamos a desmistificar e eliminar pré-conceitos que as pessoas alimentam sobre o que desconhecem.       Assim, a divulgação de informação é o melhor caminho para que as pessoas em sofrimento psíquico consigam falar sobre suas angústias sem serem julgadas ou repudiadas, estabelecendo uma comunicação apropriada para seu alívio emocional.

       

Então, falar e escutar sobre, sem julgamentos próprios, é fornecer um ambiente seguro e acolhedor. É fato que ninguém deve se senti na obrigação de saber acolher alguém que precise de ajuda, independente do motivo que seja, aqui também não cabe o julgamento, mas saber onde indicar apoio emocional e atendimento profissional é uma forma de ajudar tão importante quanto qualquer outra.  

     

É assim que se inicia a prevenção para a automutilação e também para tantos outros comportamentos suicidas! A automutilação tem tratamento e deve ser realizado por um profissional habilitado para tal, em concomitância com tratamento psicoterápico. Um dos principais institutos que atua na prevenção e posvenção do suicídio, o Vita Alere, no intuito de auxiliar a quem busca uma melhor compreensão sobre a temática, elaborou uma lista com 7 coisas que você deve saber sobre automutilação partindo do ponto de vista de que praticava autolesões:

  • 1. É uma maneira de lidar com uma profunda dor emocional - Automutilação, para mim, era uma maneira de controlar a dor emocional que eu não entendia. Era uma maneira de aliviar a dor esmagadora e insuportável. A lesão física provocada ao meu corpo era muito mais fácil de gerenciar do que o sofrimento emocional, e ele também criava uma distração para essa dor emocional.

  • 2. É um lugar muito solitário - Não é só o fato da pessoa se sentir angustiada, possivelmente desesperada ao começar a se cortar, mas o estigma e a discriminação em torno das pessoas que se ferem, contribuem para sentimentos extremos de isolamento.

  • 3. Ela não discrimina - É mais comum em mulheres e estima-se que 1 em cada 12 jovens se automutilam, mas também afeta homens e adultos mais velhos também. Ela também é encontrada em todas as culturas.

  • 4. Não é busca de atenção - As pessoas que se automutilam raramente falam sobre isso. A única vez que aconteceu de outras pessoas descobrirem sobre meus cortes foi quando eu tinha me machucado tanto que não conseguia controlar mais a situação sozinha (precisava tomar pontos nos cortes, por exemplo) – caso contrário eu iria continuar escondendo-os e continuar a me sentir envergonhada.

  • Cortar-se é uma maneira de administrar sozinho seu próprio sofrimento. É comum que as pessoas usem mangas compridas mesmo em dias muito quentes, preferindo sentir calor, em vez de enfrentar os julgamentos dos outros sobre suas lesões ou cicatrizes.

  • 5. Ela está intimamente ligada com baixa autoestima - Minha opinião pessoal é que alguém que se automutila é alguém que se autodeprecia, a si e a seu corpo. Minha recuperação só veio quando eu comecei a acreditar que eu merecia me tratar melhor.

  • 6. As pessoas que se automutilam estão em risco de suicídio consumado - Há uma diferença entre o comportamento suicida e automutilação. No entanto, como o passar do tempo as pessoas que se automutilam se colocam em maior risco de completar o suicídio, mesmo que elas, a princípio, não tenham a intenção de se matar.

  • 7. Você não consegue “simplesmente parar” - Há semelhanças entre a automutilação e vício. Não é algo que as pessoas envolvidas possam se livrar facilmente e, portanto, desistir de se cortar, muitas vezes, será uma jornada longa e difícil. Eu tive que aprender a ter compaixão de mim mesma e tive que encontrar outras formas de conduzir as minhas emoções mais fortes. Mas eu sou a prova viva de que é possível parar, com motivação, perseverança e um trabalho duro consigo próprio.  

Não parece muito lógico que uma pessoa busque alívio se machucando fisicamente, o que deixa claro que este alguém está em tamanho desespero de uma dor psíquica tão angustiante e dilaceradora que não finda e nem tem vasão.

         

O uso da empatia ainda é a melhor solução!


Fontes: http://vitaalere.com.br/7-coisas-que-voce-deve-saber-sobre-automutilacao/

              https://www.cvv.org.br/blog/entendendo-a-automutilacao/

              http://mancinipsiquiatria.com.br/blog/o-que-fazer-e-o-que-nao-fazer-diante-da-automutilacao

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